[News]Georgia Annes lança seu quarto livro, a biografia 'A voz de Elza Lopes', pela Editora Arpillera
Georgia Annes lança seu quarto livro, a biografia 'A voz de Elza Lopes', pela Editora Arpillera
Georgia Annes, autora ativa em seu trabalho de divulgação da poesia nacional, lança seu quarto livro, a biografia 'A voz de Elza Lopes', um livro de memórias escrito como uma conversa íntima entre filha e mãe. "A obra narra a trajetória real de Elza, marcada por abandono, violência e vida nas ruas, mas também por uma força sensível que encontrou na música e na poesia, caminhos de superação. Entre textos, poemas, fotografias e recortes de época, o livro constrói um retrato emocionante de uma mulher cuja história ecoa em tantas outras", diz Yara Fers, escritora, mentora e dona da Editora Arpillera.
"A obra é um inventário em tom de argila queimada que transforma a finitude em permanência; a dor, em melodia. A vida passa pelos cantos — das notas musicais, das ruas ou de uma cozinha com cheiro de pudim de laranja. Elza Lopes existe apesar das quinas, resiste com poesia e bordado. “Até o fim eu vou cantar”: decisão de Elzas", complementa Cynthia Silva, jornalista, editora e revisora.
O lançamento acontece no dia 25 de abril, a partir das 16h30, na Casa 11 Sebo e Livraria, na Rua das Laranjeiras, 371 - casa 11, Laranjeiras, RJ.
Prefácio por Milena Maria Testa
Conheci Georgia Annes através das redes sociais, quando fizemos cursos de escrita criativa a distância. Sua doçura era evidente, mas outro detalhe chamava minha atenção: aquela mulher tinha um propósito com sua escrita. Por algum tempo, como leitora, conheci apenas seus poemas, uma mensagem positiva da vida. Enfim tivemos o prazer de nos abraçar na FLIP de 2023, quando lancei um livro e ela recebeu uma homenagem. Vi o brilho de seus olhos, satisfeita com o desempenho. No ano seguinte, nos encontramos no Rio, onde vive desde criança, com um intervalo no nosso Nordeste, e comecei a ouvir um pouco de sua história, algo que ela guardava para o futuro. Havia o desejo de escrever sobre o trauma, um dos focos dos meus estudos e escrita atuais. Então recebi a missão de fazer o prefácio dessa história que merece ser conhecida do grande público. Escrevê-lo é um afago ao meu coração de amiga, leitora fã e escritora do íntimo.
Em “A voz de Elza Lopes”, a filha ainda segura a mão da mãe para lhe dar lugar no mundo. E pela vida narrada da mãe, de forma às vezes poética, outras, mais cruas, refletindo fatos dolorosos, consegue contar também, de si mesma, o que ficou preso na memória por muito tempo.
A personagem-narradora conversa com essa mãe num passado distante, que se faz presente no universo sensorial, pela música guardada de ouvido, pelo gosto da comida, pelo cheiro de lavanda ou o odor fétido da casa da mãe, pela poesia, legado materno. A escrita tem como base a memória emprestada da mãe, as próprias lembranças, fotografias e objetos, além da imaginação da narradora, como somente uma boa memorialista sabe fazer. Assim preenche as lacunas, inclusive, intercalando a narrativa com falas dirigidas à mãe fictícia, nos aproximando das cenas sensíveis: “Se precisar de pilhas, me fala, trago para não ficar sem ouvir música e notícias.”
O romance autoficcional também nos proporciona um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. Aproxima a lente à transformação dos cenários urbanos ao longo de algumas décadas. A paisagem acompanha a vida da avó, da mãe e da filha que resgata essas histórias, em parte repetidas. “Começaram as obras do metrô aqui no Rio de Janeiro e aquela escadaria linda foi demolida.” Desconstruir para construir é o fio condutor da contadora da história.
O abandono grita no universo de Elza. Desde a concepção, é rejeitada pela família, mas salva pela própria mãe, em condições tão precárias quanto nem parece possível imaginar. Sua história de silenciamento ressoa na voz, pelo canto, e na poesia escrita, guardada, exposta e camuflada sob pseudônimo masculino para ser aceita na Rádio Nacional. O futuro conspira ao lado do sofrimento. Os sonhos são cassados no nascedouro, mesmo quando a vida dá um suspiro de conforto material ou emocional. Mas alguém a aguarda no futuro e cumprirá, inversamente, o papel que sua maternidade foi impedida de exercer.
Aos poucos, em paralelo, a filha-narradora, num corajoso ato confessional, revela que também foi vítima de abuso, assim como a mãe e a avó. “E continuei de uma forma para me safar daquela situação, que me deixou com mais medo do que eu já tinha dele.” Ela, porém, não está disposta a repetir o ciclo de sua linhagem materna. "Pensamos nas roupas que estávamos usando, se era adequada, se falamos alguma coisa errada, se era o perfume que usamos ou se era só por nós existirmos.” Através da educação e baseada na família construída pelo afeto, não apenas pelo sangue que lhe corre nas veias, tem acesso a mais recursos para apoiar suas decisões. As escolhas ao longo da vida, além de poupá-la de dores comuns às mulheres de sua geração, proporcionam a realização de sonhos próprios.
Então, reencontramos a menina e os balões encantadores do avô do coração, agora uma adulta feliz e capaz de deixar escrita uma história de amor verdadeiro, afinal, como diz com todas as letras: “eu enxergo beleza até no que é feio.”
E é assim que Georgia Annes devolve doçura a “A voz de Elza Lopes”. Milena Maria Testa Autora de “Todas as faces do lençol”
Participou de 17 Antologias, inclusive Selo Off Flip 2023/2024. Foi classificada em vários concursos de poesia e obteve o 5º lugar no ArtCult em 2022. Recentemente, participou da Coletânea Palavráguas, pela Arpillera, e levou seu terceiro livro para a Flipelô em agosto de 2025.
Instagram: https://www.instagram.com/ georgiaannes.escritora/
https://www.instagram.com/ versos_soltos_por_ai/
Em “A voz de Elza Lopes”, a filha ainda segura a mão da mãe para lhe dar lugar no mundo. E pela vida narrada da mãe, de forma às vezes poética, outras, mais cruas, refletindo fatos dolorosos, consegue contar também, de si mesma, o que ficou preso na memória por muito tempo.
A personagem-narradora conversa com essa mãe num passado distante, que se faz presente no universo sensorial, pela música guardada de ouvido, pelo gosto da comida, pelo cheiro de lavanda ou o odor fétido da casa da mãe, pela poesia, legado materno. A escrita tem como base a memória emprestada da mãe, as próprias lembranças, fotografias e objetos, além da imaginação da narradora, como somente uma boa memorialista sabe fazer. Assim preenche as lacunas, inclusive, intercalando a narrativa com falas dirigidas à mãe fictícia, nos aproximando das cenas sensíveis: “Se precisar de pilhas, me fala, trago para não ficar sem ouvir música e notícias.”
O romance autoficcional também nos proporciona um passeio pela cidade do Rio de Janeiro. Aproxima a lente à transformação dos cenários urbanos ao longo de algumas décadas. A paisagem acompanha a vida da avó, da mãe e da filha que resgata essas histórias, em parte repetidas. “Começaram as obras do metrô aqui no Rio de Janeiro e aquela escadaria linda foi demolida.” Desconstruir para construir é o fio condutor da contadora da história.
O abandono grita no universo de Elza. Desde a concepção, é rejeitada pela família, mas salva pela própria mãe, em condições tão precárias quanto nem parece possível imaginar. Sua história de silenciamento ressoa na voz, pelo canto, e na poesia escrita, guardada, exposta e camuflada sob pseudônimo masculino para ser aceita na Rádio Nacional. O futuro conspira ao lado do sofrimento. Os sonhos são cassados no nascedouro, mesmo quando a vida dá um suspiro de conforto material ou emocional. Mas alguém a aguarda no futuro e cumprirá, inversamente, o papel que sua maternidade foi impedida de exercer.
Aos poucos, em paralelo, a filha-narradora, num corajoso ato confessional, revela que também foi vítima de abuso, assim como a mãe e a avó. “E continuei de uma forma para me safar daquela situação, que me deixou com mais medo do que eu já tinha dele.” Ela, porém, não está disposta a repetir o ciclo de sua linhagem materna. "Pensamos nas roupas que estávamos usando, se era adequada, se falamos alguma coisa errada, se era o perfume que usamos ou se era só por nós existirmos.” Através da educação e baseada na família construída pelo afeto, não apenas pelo sangue que lhe corre nas veias, tem acesso a mais recursos para apoiar suas decisões. As escolhas ao longo da vida, além de poupá-la de dores comuns às mulheres de sua geração, proporcionam a realização de sonhos próprios.
Então, reencontramos a menina e os balões encantadores do avô do coração, agora uma adulta feliz e capaz de deixar escrita uma história de amor verdadeiro, afinal, como diz com todas as letras: “eu enxergo beleza até no que é feio.”
E é assim que Georgia Annes devolve doçura a “A voz de Elza Lopes”. Milena Maria Testa Autora de “Todas as faces do lençol”
Sobre Georgia Annes
Nascida e criada no Rio de Janeiro, escreve desde a adolescência. Formada em Psicologia, tem três livros publicados: “A Menina e seus Balões”, pela editora Ibis Libris (2022), e “Onde Minha Poesia te Abraça”, pela editora Arpillera (2023) e Pés descalços na areia, pela Editora Litteralux (2025).
Nascida e criada no Rio de Janeiro, escreve desde a adolescência. Formada em Psicologia, tem três livros publicados: “A Menina e seus Balões”, pela editora Ibis Libris (2022), e “Onde Minha Poesia te Abraça”, pela editora Arpillera (2023) e Pés descalços na areia, pela Editora Litteralux (2025).
Participou de 17 Antologias, inclusive Selo Off Flip 2023/2024. Foi classificada em vários concursos de poesia e obteve o 5º lugar no ArtCult em 2022. Recentemente, participou da Coletânea Palavráguas, pela Arpillera, e levou seu terceiro livro para a Flipelô em agosto de 2025.
Instagram: https://www.instagram.com/
https://www.instagram.com/
Ficha Técnica
Livro: A Voz de Elza Lopes
Autora: Georgia Annes
Editora: Arpillera, 2026
ISBN 978-65-83133-49-6
Biografia
128 p. 14 x 21 cm
.jpeg)
Comentários
Postar um comentário